Junta de Freguesia de São Pedro  
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Boletim Informativo

Nº 4 - Dezembro 2003

Francisco Guedes
Director
Francisco José Guedes

EDITORIAL


Dar mais atenção ao mundo e em particular às coisas não humanas deveria ser, a meu ver, uma das nossas ocupações dos poucos tempos livres de que ainda dispomos neste mundo cada vez mais agitado em que vivemos. E, dar atenção, não é necessariamente olhar como normalmente se olha. Fernando Pessoa dizia que 'dar atenção é estar todo na mais pequena coisa que se faça '. As Aspirinas ideais para este milénio que iniciamos há apenas três anos deveriam conter este elemento 'estar atento'. Estar atento ao ar, à água, ao fogo, às plantas, aos animais. Estar atento ao nascer-do­Sol, ao pôr- do-Sol. Porque não? O Sol dá-nos vida. Por melhor vida que tenhamos, por melhor família e amigos que conseguirmos, por melhor saúde que tivermos, há algo que é imprescindível: O Sol. Levanta-se, e com ele a vida no planeta rodopia num ritmo cada vez mais agitado e a dar-nos o privilégio de o acompanharmos. Devemos ser humildes pela natureza nos presentear com tal beneficio. Mas quero propor-vos algo de concreto, uma pequena lição de humildade. Que cada um adopte, pelo menos uma vez na vida, por um acto de atenção ao mundo vivo que o rodeia, e o trate com carinho. Á água, às plantas, aos animais. Algo que viva, respire e que para continuar a viver e respirar precise não só do sol mas também da nossa atenção diária. Uma planta, na varanda, no quintal, no jardim frontal, no peitoril de uma janela. Um animal, um cão vadio - mas que se torna amigo fiel e grato por o recolhermos - um gato faminto que ronronará ao nosso colo, um peixe colorido num pequeno lago improvisado no quintal, uma tartaruga que se passeia junto a esse lago e que consegue dar conta da nossa presença. Ver viver as coisas não humanas, conseguir amá-las e dar-lhes a atenção devida é o princípio de algo que é cada vez mais fundamental à vida. O que é a vida? Donde veio? E o que nos espanta ainda mais é esse silêncio que gira à volta dos seres não humanos, mas que vivem como nós (se os deixarmos viver), que respiram (se os deixarmos respirar), e que nós, pobres humanos, trabalhadores incansáveis, desconhecemos ou, abandonamos. É o momento de olharmos para o lado e vermos que, afinal, não subimos tão alto assim. Não basta pisar o planeta é necessário acompanhá-lo. Compreender os animais e os seus instintos, compreender a generosidade das árvores e das plantas, compreender os benefícios do, água. Traga para casa um ser vivo não humano e trate dele com atenção, não apenas para sobreviver mas para com ele viver e dele tratar, com carinho. É este o desafio que lhe lanço. Dê atenção ao Mundo, por favor

Opinião 'Pobreza e exclusão social '


Numa definição por ventura demasiado simplista, podemos, pela voz corrente, definir como pobre ' aquele que não tem dinheiro para comer'. Porém, tal conceito peca por defeito, uma vez que a pobreza não é em si só a privação de alimentação, mas encerra uma dimensão muitíssimo mais alargada.

Ser pobre, no conceito actual, não significa apenas a escassez de recursos económicos, ou ter um rendimento familiar inferior a um certo limite. Este conceito é muito utilizado para fazer estudos dos rendimentos e despesas familiares, e, assim sendo, está obviamente correlacionado com um cabaz de despesas e um rendimento familiar pré­determinados.

Por aí não vamos. Porque, se numa determinada região os factores de pobreza podem ser importantes, esses mesmos, numa outra, poderão não o ser de todo. Assim pegando no conceito utilizado pela ONU - Organização das Nações Unidas - 'pobreza é uma situação de privação, persistente e grave, relativamente à satisfação de uma ou mais necessidades básicas, tal como são consideradas numa dada sociedade, destacando-se entre elas a alimentação, o vestuário, a habitação e respectivas condições de utilização, apoio social e consumos essenciais'.

Podemos assim inferir que esta definição de pobreza permite determinar a pobreza extrema, determinada pela carência de um indivíduo ou família em áreas fundamentais da subsistência.

Foi com base neste conceito que a ONU, considerou existirem no mundo inteiro 1300 milhões o de pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza. Mas não confundamos 'pobreza' 'exclusão social' com muita gente utiliza esta última para significar a definição da primeira. A exclusão social radica, segundo definições mais académicas, na 'fase extrema de marginalização', entendida como um percurso descendente ao longo do qual se verificam sucessivas rupturas na relação do indivíduo com a sociedade.

Ora, um ponto relevante deste importante processo, radica essencialmente na ruptura em relação ao mercado de trabalho, que se traduz em desemprego.

Por conseguinte, o conceito de exclusão social contém uma vertente de corte de relações de cidadania e que não está incluída no conceito de pobreza, embora se saiba que a pobreza é factor determinante da exclusão social.

Interrogo-me, porque importava aqui saber quais as carências de relacionamento de cidadania que determinam a condição de excluído. Será que a dificuldade no acesso à justiça, à educação ou aos cuidados de saúde serão também factores de exclusão social?

Na realidade, seria tema muito mais alargado que aqui não temos espaço para o abordar em profundidade. Fica-nos assim a ideia, de que todo este tipo de questões do nosso quotidiano se desenvolvem à volta do mundo do trabalho.

Mas não quis todavia deixar de colocar à reflexão dos meus concidadãos, se a importante causa da exclusão social poderá ou não gerar um novo, mas real, conceito de pobreza.

Informação Geral


Tansferência dos Postos dos CTT para as Juntas de Freguesia

Sobre este tema que foi veiculado nos diversos órgãos de comunicação social, entendemos informar os nossos concidadãos da nossa discordância quanto ao protocolo de interesses celebrado entre os CTT e a ANAFRE - Associação Nacional de Freguesias, para a passagem dos postos públicos dos Correios para as sedes das juntas de Freguesia. Porque nunca fomos consultados, na nossa condição de associados, quanto à celebração deste protocolo e porque entendemos que o mesmo não se coaduna com a tipologia da nossa freguesia, caracteristicamente citadina, entendemos oficiar àquela Associação dando-lhe conhecimento da decisão desta junta em não aderir a tal projecto, o qual, a nosso ver, se adapta muito mais às freguesias rurais. Acresce ainda salientar que esta junta entende estar bem servida com o actual posto de Correios, quer do ponto de vista da sua localização quer no que toca sua boa funcionalidade.

Rede Viária

Duas grandes obras de rede viária serão lançadas a partir da nossa freguesia. São elas, o prolongamento da Av. Marginal, a partir da ETAR, (por trás da fábrica Moaçor) estendendo-se para nascente em direcção á freguesia de São Roque. Esta obra que visa a continuidade da nossa marginal, desanuviando o tráfego da estrada interna, terá uma vertente ambiental de grande interesse turístico, proporcionando novos e mais modernos espaços de lazer e de restauração, que vão dar com certeza um aspecto mais moderno à nossa cidade, hoje, já perfeitamente ligada às freguesia periféricas. Outra grande obra será o lançamento a partir da rotunda de S. Gonçalo da 'Radial do Pico do Funcho' que ligará a zona nascente da nossa freguesia às Fajãs e, num futuro breve, ligará assim a Av. D. João III ao Caminho da Adutora. Esta obra trará significativa vantagem ao fluxo e refluxo de tráfego da zona nascente da cidade e, obviamente, de forma muito especial à nossa freguesia. Se alguém tivesse ainda alguma dúvida, da importância estratégica da nossa freguesia de S. Pedro, fica assim provado o seu importante peso no contexto sócio-económico do concelho de forma geral e da cidade de Ponta Delgada em especial, constituindo por assim dizer o verdadeiro eixo viário de todas as direcções. Estamos pois de parabéns pelo processo de desenvolvimento que a nossa freguesia vem registando em todos os vectores da economia. Sejamos nós dignos de preservar e merecer este património.

Voto de Pesar

Esta junta torna público o voto de pesar que fez aprovar pelo falecimento do nosso concidadão Prof. Doutor José de Almeida Pavão. Pese embora o desaparecimento terreno desta insigne figura da nossa cultura, a Junta de Freguesia congratula-se por ter feito juz ao seu inegável valor, ao propor o seu nome para a designação toponímica da praceta da nova urbanização da Av. D. João III, cuja cerimónia foi realizada em vida. A sua memória ficará assim perpetuada, na freguesia que o teve como concidadão

Boas Festas

A todos os nossos concidadãos desejamos um Natal Feliz e um Ano Novo muito Próspero.

 

Breves


Habitação

Mais uma família desta freguesia contemplada em habitação social. A família em causa, cujo titular se encontra impossibilitado para o trabalho por razões de saúde, é casado com uma invisual e tem dois filhos. O realojamento deu-se numa habitação do tipo T3 situada na Canada das Maricas em São Roque, sendo uma das três habitações ali construídas pela Câmara Municipal. O realojamento foi instruído entre esta junta de Freguesia e a Câmara Municipal no seguimento do processo de realojamento de famílias carenciadas.

Esta Junta de Freguesia congratula-se por contar com uma nossa concidadã nonagenária, e ainda em perfeito estado de saúde e perfeita lucidez como tivemos a oportunidade de constatar pessoalmente no dia do seu provecto aniversário em sua própria casa, onde amavelmente nos recebeu. Maior satisfação ainda quando se trata da D. Maria Luisa Teixeira, pessoa tão estimada da população e que tantos e tantos nascituros lhe devem o facto de estarem no mundo pela sua condição de óptima parteira. Felicitamos pois uma vez mais a D. Maria Luisa e toda a sua família.

Restauração do Patrimínio

No seguimento do processo de restauração do património público da freguesia, e depois da Igreja do Alto da Mãe de Deus, foi agora a vez do secular fontanário sito no cimo da rua do Negrão, restaurando-se e reavivando-se as suas cores originais deste pequeno monumento, mas grande na natureza emblemática que dá à freguesia.

Visita Honrosa

Tivemos a honra da visita de Sua Excelência o Ministro da República. Esta visita inseriu-se no programa da visita ao Concelho de Ponta Delgada a convite da Sra. Presidente da Câmara. Na oportunidade, fizemos notar ao Sr. Ministro o notório e significativo desenvolvimento que a nossa freguesia vem registando e a importância que a mesma detém no contexto sócio-económico da nossa cidade, justificando­se por isso mesmo o reforço da segurança pública, através da necessária e urgente instalação de um posto policial na freguesia, cuja dimensão demográfica há muito o justifica. Ficou assim prometido por esta Entidade Ministerial todo o seu empenhamento neste nosso pedido.

Mais uma vez se organizou a viagem de idosos a Stª Maria que contemplou mais de meia centena de nossos concidadãos. Tendo-se privilegiado aqueles que nunca haviam sido contemplados com uma viagem deste tipo, foi mais um dia de passeio e de agradável convívio, para quem precisa ainda de viver em perfeita harmonia e que a sociedade deve reconhecer e acarinhar. Assim as gerações vindouras o queiram continuar.

PRESENÇA NA DIASPORA

Tivemos um honroso convite do Centro de Divulgação Açoreana do Canadá, para participarmos no 17° Ciclo de Cultura Açoreana em Toronto, cujo programa dedicou o dia 17 de Setembro à nossa freguesia de S. Pedro. Sempre agradável dizermos presente a quem por nós procura lá longe, ansiosos por saberem da nossa situação. Mais do que a participação, valeu pelo sentir da verdadeira açorianidade, de quem vive fora do seu país sem nunca perder as suas raízes mergulhadas na nostalgia do seu passado.


O HORÁRIO DE ATENDIMENTO AO PÚBLICO
DE 2ª A 5ª FEIRA
DAS 18H00 ÀS 20H00
E-Mail: info@jfspedro.com
info@jfspedro.com
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