Boletim Informativo
Nº 7 - Agosto 2005

Director
Francisco José Guedes
EDITORIAL
Este é, provavelmente, o último boletim infonnativo do nosso mandato, para o qual fomos eleitos em 2001. Não podia por isso dirigir-me aos meus concidadãos sem fazer uma abordagem, em jeito de auto análise, do que para nós significou o merecimento da confiança de uma comunidade que nos elegeu para dirigirmos a gestão autárquica de nossa tão promissora e próspera freguesia de São Pedro. Fica claro, penso, e quem esteve atento, não duvidará que tivemos apenas um único interesse. Defender os anseios mais imediatos de todos os cidadãos, de forma neutra, integra e honesta, sem olhar à condição social ou política de cada um ou classe. Pusemos acima de tudo o nosso melhor saber e empenho para trazennos à nossa .freguesia as melhores reformas patrimoniais, ambientais e sociais, traduzidas na nossa melhor qualidade de vida. Preocupou-nos antes de tudo resta belecer a ligação estreita com os munícipes numa .franca abertura muito para além das coisas materiais.
Porque sabemos bem que são sobretudo as situações sociais que hoje mais afligem a nossa sociedade, tivemos sempre pronta a resposta imediata para as resolve1; desempenhando quase sempre o papel de mediadores no relacionamento do cidadão com as instituições governamentais, como forma de ultrapassar a burocracia e alguma falta de sensibilidade que, infelizmente, ainda persistem. Melhor que deixar obras emblemáticas que só servem para gáudio dos homens vaidosos, sentimos que a nossa obra social foi mais rekvante que outra qualquer. Retiramos os sem abrigo da rua, alojando-os com a dignidade que o ser humano merece. Alojamos oito famílias mais carenciadas economicamente em habitação social. Lutamos pelo aumento da segurança da nossa comunidade. Propusemos e conseguimos que a Câmara Municipal construísse na nossa freguesia (Laranjeiras) 112 apartamentos a custos controlados, para casais jovens. Ali mesmo construímos um complexo desportivo para o tão necessário entretenimento e lazer dos seus habitantes -uma promessa nossa. Intervencionámos na requalificação habitacional de dezenas de casas de famílias carenciadas. Fizemo-lo não de forma eleitoralista, mas de forma continuada ao longo de todo o nosso mandato. Mas, se preocupação tivemos em todo o nosso mandato, em que nos empenhamos permanente e activamente, foi precisamente na área da higiene e limpeza ambiental e da conservação dos espaços verdes e de lazer. Construímos por isso os primeiros sanitários públicos da freguesia, estando os resultados à vista de todos. Não esquecemos os nossos arruamentos que possuem hoje uma inegável melhoria. Mas queremos ainda entregar à comunidade, antes do fim do nosso mandato, mais duas promessas nossas, a requalificação e abertura do Relvão e o arrelvamento do campo de jogos Jácome Correia, para alem da construção do parque desportivo das Laranjeiras. Temos de reconhecer que tudo isto se deveu também ao óptimo relacionamento que temos com a Câmara Municipal. Mas outra coisa não seria de esperar e sabíamo-lo à partida. Assim, passando a imodéstia, valeu-nos a persistência que nos caracteriza e a vontade de bem servir a comunidade. Sentimo-nos bem por isso mesmo.
Opinião 'Desenvolvimento sim, ... mas sustentado'.
São Pedro é, conforme publicação no Diário da República n° 121, II série, de 27 do mês de Junho passado, a maior freguesia dos Açores em recenseamento eleitoral. Mas não o é somente em termos de recenseamento como é igualmente em densidade populacional. Por dados estatísticos recentes, a nossa freguesia poderá apresentar uma população residente de aproximadamente 12 000 habitantes, cujo aumento da população nestes últimos 5 anos ronda os 25%. Na realidade, poderemos quase dizer que se trata de uma nova ilha. Nos últimos anos tem vindo a registar um crescimento sem precedentes, quer ao nível habitacional, empresarial e turístico. As enormes potencialidades que apresenta no contexto territorial do concelho, quer pelo seu posicionamento quer pelas potencialidades de investimento, leva a que a nossa freguesia seja hoje uma das freguesias com melhor qualidade de vida ao nível da Região. Não é por acaso que aqui reside o maior núcleo hoteleiro da Região. Com efeito, São Pedro não esgotou ainda as possibilidades de crescimento. Mas atenção. Haverá que atender, necessariamente, ao seu crescimento sustentado, isto é, que não se arrede deste desenvolvimento outros factores complementares hoje necessários à tão almejada qualidade de vida que todos desejamos, como por exemplo os espaços verdes e de lazer. Não podemos embarcar na onda habitacional que conduza à asfixia do betão.
Outros factores de desenvolvimento sustentado deverão ser urgentemente equacionados.
Referimo-nos necessariamente ao nível social e cultural que uma qualquer comunidade em expansão não pode prescindir. Daí que nos lembramos da urgente necessidade da criação de uma nova escola primária, cujo estado caótico actual de sobrelotação só leva a que todos sofram outro lado, reclamam-se mais creches e infantários, e estes não terão que ser necessariamente criados pelo poder governativo, mas também por Instituições sociais ou mesmo pelo sector privado. Há hoje boas iniciativas neste campo que deram bons frutos no contexto social.
Por outro lado, deixemos a criação dos espaços verdes, de lazer e desportivos ao poder govemativo que tem essa competência.
Assim, a nossa freguesia de São Pedro deve ser acompanhada no seu imparável crescimento de forma cuidada e sustentada, apost'i!ndo no reordenamento dos seus espaços disponíveis, num permanente observatório demográfico que não ponha de parte o equilíbrio que lhe é devido como grande metrópole que já é no concelho e Região. É claro que cabe em primeiro lugar ao poder local autárquico essa observação e acompanhamento de expansão demográfica e territorial. Pela parte que nos toca, essa foi e continuará por certo a ser a nossa preocupação dominante, enquanto nos mantivermos nos destinos govemativos da nossa freguesia. Gostamos e defendemos muito o desenvolvimento porque ele define no fundo o progresso de uma comunidade, mas não nos deixamos facilmente embalar nessa dinâmica construtiva, sem atendermos a sua sustentabilidade social e cultural, como factores indispensáveis à boa qualidade de vida que todos pretendemos.
Podem assim os habitantes de São Pedro sentirem- se satisfeitos e mesmo orgulhosos de viverem numa tão próspera e agradável freguesia. Nós, igualmente nos orgulhamos, enqu.anto por aqui estivermos nesta função em defesa da causa pública, pugnaremos pelo seu desenvolvimento sim, mas... sustentado.
Francisco Guedes
Singelas palavras de homenagem ao Prof. Doutor José Carlos de Andrade Rocha
Faleceu o nosso concidadão Prof. Doutor José Carlos de Andrade Rocha, marido da nossa companheira Drª Maria de Fátima de Medeiros Silva, vogal desta Junta de Freguesia. Já manifestamos o nosso sentido pesar à nossa colega, mas com a sua permissa, entendemos trancrever na integra a homenagem que foi prestada ao seu falecido esposo na missa do sétimo dia, pelo profundo sentido e singelesa das palavras que definem bem a singular personalidade do nosso concidadão.
Vivemos, nesta última hora, momentos de indubitável emoção ao recordannos, cada um à sua maneira, e consoante a sua experiência, a figura tutelar do Prof. Doutor José Carlos Rocha.
Todavia, sem falsas modéstias, gostaria de deixar aqui o meu testemunho, porquanto tive o privilégio de privar com uma pessoa que, pela sua dimensão humana, tem um lugar cativo no coração de cada um de nós: o Prof. Doutor José Carlos Rocha, que nos deu a honra de querer ter sido nosso Amigo.
Falar do Prof. Doutor José Rocha não é uma tarefa fácil, porque ele também não era um homem vulgar. Muitas vezes ao conversar com ele, lembrava-me, interiormente, das palavras de Chesterton: 'Há grandes homens que fazem os outros sentirem-se pequenos, mas os verdadeiros grandes homens são aqueles que fazem os outros sentirem-se grandes também.' Por isso, aqueles que tiveram a subida honra de o ter como Amigo, Conselheiro e, sobretudo, como Intérprete dos sinais do mundo, sentiam-se, também, junto dele grandes homens, por três razões essenciais:
Em primeiro lugar, o Prof. Doutor José Rocha era um espírito bom, tinha um coração franco, generoso e cultivava afectos calorosos e genuínos em relação aos que o rodeavam. Defendeu, assim, como máxima da sua vida, a excelência e incentivava-nos à demanda da excelência em cada um de nós, quer fosse no âmbito pessoal, afectivo ou profissional, levando-nos a desenvolver a tolerância, a força interior e a confiança para ultrapassarmos os medos e as inseguranças próprios da nossa efemeridade e imperfeição.
Em segundo lugar, sentiamo-nos grandes junto dele porque o Prof. Doutor José Rocha tinha uma capacidade inata para compreender a essência da Humanidade. Embora sóbrio, comedido e pouco expansivo (pois tinha um enorme respeito pelas palavras) bastava-lhe compreender que os nossos olhos não brilhavam como de costume, o nosso sorriso não era tão aberto, ou que as nossas palavras não fluíam tão alegremente, para que, através de um gesto peculiar do seu rosto, perguntasse sem palavras: 'Então, o que se passa? Qual é o obstáculo do momento?', pois ele sabia, como muito poucos sabem que, independentemente dos nossos pontos de vista ou valores, somos todos iguais na busca da felicidade e na vontade de não sofrer, encontrando, por isso, as palavras exactas para nos animar face às pequenas/grandes adversidades da vida, sempre de uma forma equilibrada e depurada, porque sabia que, muitas vezes, 'o silêncio é de ouro'.
Em terceiro e último lugar, sentiamo-nos grandes junto dele, porque a nobreza e a verticalidade do carácter do Prof. Doutor José Rocha fazia-nos acreditar que o mundo seria bem melhor se fosse como ele o sonhava: um lugar mais justo, mais fraterno, mais igual porque mais tolerante e mais respeitador das diferenças que n0'5 unem como humanos.
Altruísta, praticou até ao fim a humildade, pois sabia que é riela que mora toda a sageza humana, já que fomos talhados tanto para as planícies de água, como para os vales de sol e montanhas de lava.
Estamos, pois, a viver um momento de mistério -um mistério que cada um traz dentro de si e que cada um irá enfrentar, sempre solitariamente, em circunstâncias desconhecidas. Por isso, gostaria de finalizar este depoimento lendo algumas passagens de um texto do grande filósofo norte-americano Max Ehrmann -'Desiderata', isto é, em latim, 'coisas a desejar' que, em 1927, parece ter sido escrito, de propósito, para o nosso querido Amigo, o qual ficará para sempre, nos nossos corações, como a concretização de todos os ideais que aqui se defendem.
Ouçam, portanto, este texto de Max Ehrmann, como se fosse a própria voz do Prof. Doutor José Rocha: 'Caminha placidamente por entre o ruído e a pressa, e lembra-te da paz que existe no silêncio. Tenta, na medida do possível, estar de bem com todos. Exprime a tua verdade com tranquilidade e clareza. Escuta qyem te rodeia, inclusive as pessoas desinteressantes e incultas; também elas têm uma história para contar. Evita gente conflituosa e agressiva, que tanto mal faz ao espírito. Se te comparares com os outros, poderás tornar-te amargo ou arrogante, pois haverá sempre alguém melhor e pior do que tu. Regozija-te com as tuas conquistas e os teus projectos. Mantém vivo o interesse pela tua carreira por mais humilde que seja; é um verdadeiro bem nesta época de constante mudança. (...) Sê tu próprio. Acima de tudo, não sejas falso, nem cínico em relação ao amor que, face a tanta aridez e desencanto, se mantém perene com uma haste de erva. Aceita com serenidade a passagem do tempo, sabendo deixar graciosamente para trás as coisas da juventude. (...) Mantém uma auto disciplina saudável, mas sê benevolente contigo mesmo. Es um filho do Universo, como as árvores e as estrelas; tens todo o direito ao teu lugar no Mundo. Poderá não ser claro para ti, mas a ,:erdade é que o Universo está a evoluir como previsto. E importante, assim, que estejas em paz com Deus, seja qual for a tua concepção d'Ele, e em paz com a tua alma, sejam quais forem os teus anseios e aspirações. (...) Apesar de todos os enganos, dificuldades e desilusões, vivemos num mundo bonito. Alegra-te. Luta pela tua felicidade.'
O Prof. Doutor José Rocha tinha uma religião muito simples: era a religião da bondade. Deste modo, o Mundo conheceu durante 59 anos, apenas 59 anos, um Homem bom. Saibamos todos nós aqui presentes guardar, para sempre, esse dom no silêncio dos nossos corações.
' Assim seja!
Ano da Graça de 2005.
Aos oito dias do mês de Julho, na Igreja de S. Pedro, de Ponta Delgada!
Maria Margarida S. R. Freire de Andrade (Dra;)
Honra à Dedicação
Inserido no programa das festas da nossa freguesia que se realizaram na Calheta de Pêro de Teive, decidiu a Junta homenagear a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada e bem assim outros concidadãos que prestaram serviço nesta Corporação, nomeadamente ao 2° comandante Femando Pavão, (a titulo póstumo), chefe António Soares, sub-chefe João António de Sousa e José Valdemar da Silva, bombeiro de Ia classe.Foi uma cerimónia pública levada a efeito a seguir à Missa Campal, que dignificou a Freguesia e honrou os homenageados que ao longo de muitas décadas prestaram um meritório serviço de elevado espírito de sacrificio, quantas vezes pouco reconhecido. Pela eloquência da alocução proferida pelo orador convidado Sr. Jorge Manuel do Nascimento Cabral, também ele que exerceu funções directivas daquela Associação, entendemos dever transcrevê-la integralmente.
'As minhas primeiras palavras dirigem-se, naturalmente, ao meu excelentíssimo amigo Francisco Guedes, competentíssimo Presidente da Junta de Freguesia de São Pedro, comunidade que me viu nascer, crescer e onde me fiz homem, pelo cativante convite para proferir palavras breves a propósito da homenagem a todos aqueles que um dia abraçaram o lema 'Vida por Vida', num exercício da mais pura expressão de cidadania, muito antes de nos pretenderem dizer como ela se pratica... Ainda menino de Escola, brinquei nestes arredores com pequeninos barcos presos à proa por um fio, que fazia deslizar por entre o basalto negro afagado por mil marés. E assisti da janela do meu quarto de adolescente, às partidas e chegadas dos barcos a remos, à vela e mais tarde a motor, que descarregavam peixe ainda a saltitar nas pedras negras do velho portinho da Calheta.
Já lá vão mais de 50 anos... Enfim!!!'
'Vida por Vida'
Existem atitudes que dignificam o Homem e as instituições. No reboliço instalado também entre nós, por Via dos novos objectivos de vida subjacente à moda recente do 'carpe diem', vão surgindo pequenos oásis onde ainda é possível vislumbrar acentuados sinais de solidariedade humana, exponenciando sentimentos de respeito e de exaltação, direccionando exemplos de coragem e de abnegação para as gerações mais novas, na tentativa de manter bem viva a chama de uma divisa sagrada, que percorre os tempos ao serviço das comunidades: 'vida por vida'
Os actuais responsáveis pela Junta de Freguesia de São Pedro de Ponta Delgada, deliberaram, e muito bem, prestar uma justíssima homenagem àqueles que, desinteressadamente, praticaram e praticam um autêntico e louvável serviço público, sempre merecedores, mas ausentes do reconhecimento institucional dos '10 de Junho', há muito banalizados pela proliferação de condecorações, que alguns seleccionados imerecidos transformam em penduricalhos sem vergonha.
Recordo o que disse na inauguração do Memorial presente em lugar de honra no Quartel da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada a perpetuar os que nos aguardam no 'assento etéreo', no dizer de Camões, numa emocionante iniciativa do seu actual e dinâmico Presidente, Eng.o Oliveira MeIo: Quantas e quantas noites espantadas ao uivo da sirene; arrancados ao calor e aconchego familiares; enfrentando o fogo violento, mil vezes pior que um ladrão de circunstância (este, ao menos, deixa alguma coisa); lutando com o corpo e a alma contra as chamas; ameaçados por derrocadas enlinentes de estruturas; perdidos nas águas das enxurradas; desaguando habitações; desafiando a natureza zangada; estes homens, capazes de actuar nas mais violentas intempéries e desgraças, têm gestos de uma extrema ternura, muitas vezes a transparecer na simplicidade de retirar de uma situação de perigo num telhado ou numa árvore, um pequeno animal, um fofo gatinho.
Acudir a quem precisa...
É bastante remoto o aparecimento de serviços destinados à prevenção e combate a incêndios. Se em Portugal datam do Século XN, durante o reinado do Rei D. João I, as primeiras medidas de prevenção e combate a incêndios, manda a verdade que se diga que a existência de bombeiros já se referenciam nos tempos da chamada Aotiguidade. Hebreus e gregos criaram os primeiros vigias noctumos que, em caso de fogo, davam os sinais de alarme. Em Roma existiam os 'tríunviri nocturni', com o objectivo fundamental de assegurar um sistema de policiamento à noite e de alarme em caso de incêndio.
Entre nós, foi criada, nos finais do Século XIX, a Associação de Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada, já com esse serviço devidamente organizado, mas dotado de equipamento ainda muito incipiente.
Não querendo, de forma alguma, reconstituir aqui e agora, as traves mestras da História da Associação Humanitária dos B.()Tnbeiros Voluntários de Ponta Delgada (aliás, já registada em livro da autoria de Ana Cristina Moscatel Pereira, com cuidada coordenação do Professor Doutor Carlos Cordeiro ), onde alguns, felizmente poucos, servindo-se em vez de servir, se autO incensaram, sempre vou adiantando que o serviço de Bombeiros não se tem circunscrito apenas à extinção de incêndios e a outras operações de salvamento.
Quem passa os olhos por jornais antigos ou pelas notáveis 'Escavações' de Francisco Maria Supico, celebrado Director do Jornal 'A P~', descobre momentos de profunda solidariedade para com os mais desprotegidos ou vítimas de desgraças que a má sorte proporciona.
Estão neste caso as terríveis manifestações de terramotos e diluvianas inundações em Andaluzia, Espanha, em 1884, que motivaram lancinantes brados de socorro, prontamente acudidos um pouco por toda a parte, onde se incluía, naturalmente, a l1ha de São Miguel, cuja filantropia, quem sabe se em resposta a anteriores ajudas, se destacou. Os nossos Bombeiros Voluntários, entre peditórios, bazares e récitas, angariaram avultada soma em dinheiro, mais tarde entregue à legação da Espanha em Lisboa pelo Conde da Praia e Monforte.
Urna outra desgraça foi um desastre na cidade do Porto. Um incêndio destruiu o Teatro Baquet em Março de 1888 e matou cem pessoas. De novo os nossos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada fizeram um peditório público na cidade para minorar os prejuízos de tão grande infortúnio. A solidariedade dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada veio de novo ao de cima ao acudir às vítimas dos terriveis temporais e inundações na Povoação, Faial da Terra e Nordeste em 1 de Dezembro de 1893, que causaram 13 mortos, vitimando muito gado e grandes perdas de propriedade. A companhia dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada realizou um peditório num domingo de manhã, angariando 157 mil e 300 reis, colaborando ainda a distinta corporação no policiamento de uma animada e muito concorrida quermesse.
Gente honrada
Têm sido e são assim os nossos bravos 'soldados da Paz', cujo espírito solidário teve grande expressão na personalidade do já falecido Senhor 2° Comandante Femando Pavão, como um dos grandes organizadores dos célebres 'bandos precatórios', urna actividade que se destinava a pedir ajuda para acudir a famílias carenciadas. Conheci-o de perto e muitas vezes trocámos impressões quando desempenhei as honrosas funções de Vice- Presidente e Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ponta Delgada. A sua voz serena, as suas opiniões proferidas pausadamente e a lhaneza de trato foram marcas da sua personalidade. No exemplo do Senhor 2°. Comandante Femando Pavão, destaca-se urna elevada referência da instituição e do seu lema, 'Vida por Vida', que se alargou aos seus familiares mais directos, nurna superior prestação de SeIViços a urna sociedade tantas vezes ingrata.
Foi com muita tristeza que apresentei em Sessão Plenária da Assembleia Municipal de Ponta Delgada um sentido voto de pesar pelo seu falecimento, aprovado por unanimidade.
Esta homenagem, em boa hora levada a cabo pela Junta de Freguesia de São Pedro de Ponta Delgada, sob a Presidência do dinâmico cidadão Dr. Francisco Guedes, é um autêntico acto de Justiça e reconhecimento não só ao Senhor 2°. Comandante Femando Pavão, mas também a todos aqueles que honraram a divisa sagrada de 'Vida por Vida', que ultrapassa o próprio conceito do tempo e se perpetua na História e no espírito de uma comunidade, tantas vezes madrasta para com o seus mais dilectos filhos e quase sempre ingrata perante actos de grande valentia, de amor, de dedicação, de abnegação, de solidariedade, contribuindo, sempre contribuindo, para que a sociedade micaelense seja mais segura, atenta aos sinais de perigo que, num instante, faz desaparecer urna vida, um marco, um testemunho.
Aqui e agora, homenageia-se, igualmente, a humildade de grandes almas e corações, a animar um corpo sempre disponível para dizer 'presente' a qualquer chamada de aflição de um ser humano, de dia ou de noite, seja ele de que condição for, rico ou pobre, crente ou ateu.
Neste instante de profundo reconhecimento e de urna sentida prece nnnmurnda bem no intimo de nós todos, ergamos os olhos aos céus.e, numa expressão da maior gratidão para com os princípios humanistas, que assumiram em vida, dizer-lhes que valeu a pena o seu esforço, porquanto valorizaram a sua comunidade, e que hoje continuamos a colher os frutos dessa dedicação extrema, que os libertou da lei da morte.
E dizer-lhes, com toda a emoção, que a sua memória continua bem viva, no meio de todos nós! '
Em 26 de Junho de 2005, na Calheta Pêro de Teive
Jorge do Nascimento Cabral
BREVES
FESTAS DO ESPÍRITO SANTO
Decorreram no mês de Maio as habituais e tão características festas em honra do Divino Espírito Santo. Um pouco por todo lado e a nossa freguesia, como tantas outras, mantém um cunho de tradição neste tipo de festejos, registando quatro Impérios - Império da Festa das Laranjeiras, Império da Trindade (Travessa das Laranjeiras), Império do Corpo de Deus (Rua da Boa Nova) e Império da Festa da Levada, este recentemente criado no bairro do mesmo nome, cuja construção do respectivo 'Triatro' foi da responsabilidade desta junta, assim como a construção da escadas do 'Triatro' das Larnnjeiras. As respectivas Irmandades a Junta apoiou para que estes festejos decorressem com a dignidade que nos merecem. Pensamos que não estará em causa o valor atribuído mas antes o objectivo de apoiarmos as festas mais participadas pela nossa comunidade, e, nós, só nos sentirmos bem por isso mesmo.
REDE VIÁRIA
Para além de sermos já a mais populosa freguesia dos Açores, somos, provavelmente, aquela que regista de igual modo o maior índice de expansão urbanística e viária. Registamos por isso com muito agrado a recente abertura da radial do Pico do Funcho que nos aproximou ainda mais das freguesias vizinhas de Fajã de Baixo e de Cima, constituindo um importante eixo viário e uma nova e importante porta de entrada da nossa freguesia. Do mesmo modo, o prolongamento da Av. Infante D. Henrique até à vizinha freguesia de S. Roque, além de ser uma obra de grande valor patrimonial para a cidade e concelho, constitui uma inegável mais valia para a nossa Freguesia, passando a contar com mais uma porta de passagem quase obrigatória, na rede viária da nossa cidade.
DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
Celebrou-se uma vez mais o dia mundial da criança. A Junta, como habitualmente, não quis deixar de participar e, desta vez, fizemo-lo na oportunidade da tão meritória funcionalidade do nosso Coliseu Micaelense, adquirindo para o efeito setenta entradas para o Circo Bataton ali em exibição, que proporcionou a deslocação simultânea destas crianças de diferentes partes da freguesia, às quais foram distribuidas ( T-shirts e bonés desta Junta, contribuindo para o regalo desta deslocação. Num mundo tão conturbado, elas, CRIANÇAS tudo nos merecem como objectivo primeiro de preparannos melhor o futuro
TOPOMÍNIA
O Orgão executivo desta Freguesia só pode congratular-se por a nossa Freguesia poder contar com mais seis marcos toponímicos, que prova bem o nosso progresso patrimonial. Desta feita registamos os novos armamentos situados no novo loteamento da levada, designadamente, Rua Paul Harris (fundador do Rotary), Rua Melvim Jones (fundador do Lions Internacional), Rua Dr. Humberto Bettencourt (poeta e professor/ 1º Presidente do Instituto Cultural de Ponta Delgada), Rua Alice Moderno (poetisa e jornalista/ fundadora da Sociedade Protectora dos Animais), Rua dr. Oliveira San-Bento (poeta e advogado) e a nova praceta situada na parte nova da Av. D. João III (lado poente) inaugurada com a presença do homenageado que lhe deu o nome, o Professor Doutor José Enes, primeiro reitor da Universidade dos Açores.
ROMEIROS
Mais urna vez o rancho de Romeiros da nossa freguesia realizou a sua habitual romaria à volta da nossa Ilha, na sua dura caminhada de fé e penitência. A Junta, como sempre, prestou o seu auxílio para a realização desta caminhada, e eles Irmãos tiveram para com a Junta um amável gesto de reconhecimento oferecendo um simpático quadro com a foto do rancho. Também nós agradecemos reconhecidamente o gesto.
REQUALIFICAÇÃO DA REDE VIÁRIA
Decorrem as obras de requalificação da Av. D. João III, merecem- nos todo o nosso regozijo, quer pela qualidade das mesmas e da acentuada melhoria que vem trazer quer à rede viária, quer no que toca aos passeios pedonais e, sobretudo, à melhoria e aumento da capacidade do parqueamento automóvel. Igual referência de satisfação temos de fazer pela recuperação do pavimento do Bairro das Laranjeiras, Bairro do Phísio e Travessas da Calheta, locais que já reclamavam esta beneficiação. Neste momento decorre igualmente as obras de requalificação da Rua do Poço. Esperamos poder contar de seguida com outros arruamentos da freguesia que necessitam de igual requalificacão.
REQUALIFICAÇÃO DE PATRIMÓNIO
É com imenso prazer que assistimos ao início das obras da Câmara Municipal na requalificação da Alameda Duque de Bragança - vulgo Relvão. Lutamos por isso desde o início do nosso mandato. Aliás, lembramos que a recuperação deste espaço luxuriante, único no seu gênero, foi uma das promessas que nos comprometemos realizar. Agora, esse objectivo está quase concretizado, esperando que, ainda antes do final do ano, possamos todos aproveitar este belo espaço, que de boa memória lembra as agradáveis verbenas ali realizadas em décadas passadas, que desejamos ver recuperadas. Tambem nos congratulamos com a já anunciado concurso público do arrelvamento sintético do Campo de jogos Jácome Correia, outro dos nossos objectivos que prometemos concretizar, e que bem merece essa requalificação para bem da classe desportiva que dele faz uso e dignificação da nossa freguesia.
SERVIÇO PÚBLICO
Com o objectivo de facilitannos a vida ao nosso concidadão, a Junta de Freguesia propôs à Direcção de Finanças o recebimento das declarações obrigatórias do IRS (modelo 3), dos contribuintes com residência na nossa freguesia. Como primeira experiência e atendendo à responsabilidade do acto, só podemos estar satisfeitos, pois todo este processo decorreu, célere e sem anomalias, o que levou a todos que optaram .pela entrega nesta junta evitar as longas filas que todos os anos se verificam.
PROCISSÃO DO SANTÍSSIMO SACRAMENTO
Decorreu a habitual Procissão do Santíssimo Sacramento que percorreu algumas ruas da nossa freguesia. Tivemos uma vez mais a honra de participar neste acto religioso a convite da Confraria, que agradecemos muito sensibilizados não só o convite da Confraria, que agradecemos muito sensibilizados não só o convite que nos foi formulado como a amável referência que nos feita no Boletim Informativo daquela Confraria.
PARQUE DESPORTIVO MULTIUSOS
Sabemos bem, porque também já fomos jovens, quanto se toma necessário ocupar os tempos de 1azer dos jovens em áreas de actividade construtivas e aproveitáveis para a sanidade física e mental. Foi isso que nos motivou a propormos à Câmara Municipal a construção de um polidesportivo no principal núcleo habitacional que mais reclama uma estrutura deste género, o Bairro das laranjeiras. Tendo a Câmara Municipal prontamente acedido à nossa proposta, cedeu um lote de terreno junto ao complexo residencial universitário, que permite a construção de um campo multiusos - futsal, voleibol, andebol e Basquetebol -, um ring para a prática de skate e ainda um campo de minigolf. A construção já iniciada e a decorrer a bom ritmo, vai pennitir que esta Junta incentive a criação de um clube recreativo daquele bairro. Esta era uma das nossas propostas há muito desejadas para aquele local, e que agora, felizmente, vamos ver concretizadas a breve trecho.

FESTAS DE SÃO PEDRO
Decorreu uma vez mais as habituais festas em honrado nosso padroeiro São Pedro. Esta foi a quarta vez que esta Junta as realizou sob a sua inteira responsabilidade. Estamos hoje em condições de afirmar que nos sentimos orgulhosos da forma como ao longo destes quatro anos estes festejos decorreram, sem termos de assinalar qualquer anomalia, levando a que estas festas tenham já atingido o bom nível que as define como as maiores e mais animadas festas populares do concelho. Mas este sucesso não se deveu somente ao poder organizativo, apesar de ano para ano tentarmos sempre a melhoria. Deveu-se, sobretudo, à forma digna e civilizada como os nossos concidadãos souberam receber todos quantos nos visitaram, que por sua vez o reconheceram e corresponderam com igual comportamento. Estamos pois todos de parabéns.
MAIS E MELHOR HABITAÇÃO
A nossa Freguesia passa a dispor de um complexo de habitação - social de 112 apartamentos ( 24 do tipo TI, 64 do tipo T2 e 24 do Tipo T3), construídos em regime de custos controlados, obra da responsabilidade da Câmara Municipal. Esta construção, situada no bairro das Laranjeiras, no lugar das antigas residências universitárias, proporcionou que dos 86 processos de candidatura, de famílias da freguesia, organizados por esta Junta, 35 fossem contemplados como candidatos efectivos. Só nos podemos congratular por esta freguesia ser contemplada por um tão elevado número de famílias - cerca de um terço da ocupação total -, tanto mais que se tratou de um concurso nacional. Resta acrescentar que este complexo habitacional, de boa e moderna construção, traz uma mais valia à nossa freguesia, que hoje dispõe já de uma população multi-facetada contribuindo para o tão desejado equilíbrio social.

MISSA CAMPAL
Como vem sendo habitual nas festividades da freguesia, foi uma vez mais celebrada uma bonita Missa Campal pelo nosso Pároco Padre João Maria Brum.
De ano para ano cada vez mais participada, e este ano especialmente dedicada ao Corpo de Bombeiros de Ponta Delgada, em que os próprios foram intervenientes no ofertório, teve a sempre prestimosa colaboração do coro do grupo de jovens desta freguesia 'A Sentinela' que colaboram na preparação deste acto religioso.

Com efeito a nossa Junta de Freguesia passará, a partir do próximo dia 29 de Agosto, a funcionar nas suas novas instalações situadas na Rua Manuel Amaral Mendonça, n°. 38, no interior do Bairro das Laranjeiras. Trata-se do novo Edifício Sede, uma obra da responsabilidade directa desta Junta e que foi comparticipada pelo Governo Regional e Câmara Municipal.
O edifício que congrega os próprios serviços de expediente da Junta de Freguesia e outras valências de cariz social sob a responsabilidade do Instituto de Acção Social, dispõe de novas e modernas instalações que vão certamente permitir uma melhor funcionalidade e melhor expediente prestado à comunidade.
Não se encontrando ainda a obra totalmente acabada na parte dos serviços de acção social, por motivos de falta de reforço de verba necessária ao seu acabamento de pormenor; foi possível, graças à colaboração da Câmara Municipal, acabar a parte que nos é respectiva. Passa assim a Junta de Freguesia a dispor de instalações condignas de acordo com a sua própria dimensão demográfica e social, no contexto regional.

O HORÁRIO DE ATENDIMENTO AO PÚBLICO
DE 2ª A 5ª FEIRA
DAS 18H00 ÀS 20H00