Em
1443 já existia gente em São Miguel. Esta é a data do documento mais antigo
que se conhece, um documento que dá aos habitantes desta ilha facilidades
para importar e exportar mantimentos.
A
ilha de São Miguel foi comprada por Gonçalo Zarco, por 2000 cruzados e
alguns quintais de acúcar, ao Capitão do Donatário de Santa Maria. Em
São Miguel os primeiros povoadores desembarcam na Povoação, onde se estabelecem,
depois dirigem-se a Vila Franca e só mais tarde chegam a uma das planicies
mais aprazíveis da ilha, precisamente Ponta Delgada. Ponta Delgada é uma
plataforma com fraca inclinação desde o mar, do lado sul, até à zona de
montanhas que faz o pano de fundo.
Era uma zona extremamente favorável à fixação de gente, uma plataforma
com cerca de 8 quilómetros de extensão e cerca de 12 quilómetros de profundidade.
Terrenos bons para o cultivo, servidos por algumas ribeiras e com boa
acessibilidade pelo mar. Nesse tempo a comunicação fazia-se por mar e
a enseada de Ponta Delgada é das mais abrigadas da ilha. Nenhuma outra
em São Miguel era mais favorável à aproximação de navios.
Aos
primeiros habitantes foram distribuidas terras para as cultivarem, do
litoral para o interior, de uma forma não planificada, e surgem trés pequenos
aglomerados populacionais: Um onde hoje é São Pedro, outro na Matriz e
um terceiro em Santa Clara. A Matriz foi central porque tinha uma ribeira
e as melhores condições para o embarque e desembarque de cargas dos navios.
São Pedro e Santa Clara tinham outras enseadas e aí se estabeleceu também
alguma população. Agricultores e pescadores, embora nesse tempo a pesca
fosse apenas uma actividade complementar.
A
ocupação principal das populações era a agricultura. Em 1499 um habitante
distinto de São Pedro, o escrivão Pêro de Teive, assina o documento do
Rei Don Manuel que eleva Ponta Delgada a Vila. Pêro de Teive será o nome
por que ficará conhecida até aos nossos dias a pequena enseada de São
Pedro, agora desaparecida.
Em
São Pedro viveu também o Morgado do Canto, no Século XVIII. No Século
XIX a casa do Morgado foi residência de Don Pedro IV, o Duque de Bragança,
quando passou por São Miguel, antes de partir para o continente para estabelecer
o regime liberal.(Hoje o edifício sede do Tribunal de Contas da Região Autónoma dos Açores)
O Duque desembarcou em São Miguel e instalou a sua corte
em São Pedro, a corte do liberalismo. Depois andou pelas outras ilhas
em busca de dinheiro e meios, para finalmente partir para o continente
com 7.500 soldados para derrubar o poder absolutista. Esta partida é outro
marco histórico de São Pedro, os 7.500 soldados reuniram e partiram do
Relvão em São Pedro, local da última corte do príncipe regente nos Açores.
Devido a estes acontecimentos transformou-se posteriormente o Relvão numa
zona de lazer, de passeio público, e teve o nome de Alameda da Liberdade
ou Alameda do Duque de Bragança. Era um jardim público com passeios largos
entre àrvores frondosas, um espaço com tendências afrancesadas. Actualmente
o Relvão está degradado reclamando uma urgente recuperação.
Em
São Pedro há outro local que foi também de passeio, nos anos 50 de 1800,
um local de onde se admirava o mar e a vista da cidade, que foi chamado
Theodore Roosevelt durante a primeira grande guerra. É actualmente o jardim
que envolve a Igreja do Alto da Mãe de Deus, e continua a ser um local
muito aprazível, donde se pode desfrutar de uma vista panorâmica de toda a zona marginal sul de Ponta Delgada
e muito especialmente da Freguesia de S. Pedro.
A freguesia tem a primeira igreja barroca que foi construida
nos Açores, a Igreja de São Pedro. Em 1536 existia no local uma igreja
em construção. Em 1646 ainda não estava construida e optou-se então por
começar de novo. Essa igreja foi inaugurada por volta de 1650. Degradou-se
e voltou a construir-se outra em 1739, terminada na década seguinte, e
que dura até aos nossos dias.
A
Universidade dos Açores está também nesta freguesia. A 12 de Julho o edifício da Reitoria é varrido completamente por um aparatoso incêndio, tendo-se perdido um espoólio de documentação irrecuperável. Decorridos 14 anos é recuperado com a sua traça original. Era a residência do segundo visconde de Porto Formoso. Jacinto
Fernando Gil construiu-a em 1892/1895. O seu pai era do norte do país,
um comerciante dedicado à importação e exportação que casou nos Açores,
enriqueceu e comprou o titulo. No principio do século XIX, Jacinto Fernando
Gil tem dificuldades financeiras e tenta vender a casa para ser um hospicio
de doidos mas não consegue. No fim da década de 60 é ali instalado o magistério
primário. A casa será ainda residência do governador e finalmente instala-se
nela a reitoria da Universidade dos Açores.
Outro expoente de São Pedro é o Hotel com o mesmo nome, actualmente funcionando como Escola de Formação Hoteleira dos Açores.
Este tem uma história muito curiosa. É contruido por um inglês nascido na América, Thomas Hecley. ele chega a São Miguel em 1769, de Boston. Dedica-se à produção e exportação de laranjas. O negócio corre bem. Com a independência dos Estados Unidos ele opta pela nacionalidade americana e posteriormente chegará a ser nomeado vice-consul dos Estados Unidos nos Açores. O actual Hotel São Pedro era a sua residência em Ponta Delgada e mandou construir outra nas Furnas para o verão, onde actualmente existe o Hotel Terra Nostra. A sua residência nas Furnas era o palacete junto à piscina de água quente do parque, a que chamou Iaquing House. Esse palecete foi o início do parque Terra Nostra, depois desenvolvido pelo Visconde da Praia e pelo Marquês da Praia.
A Calheta Pêro de Teive era um porto dedicado à pesca artesanal, nascido de uma acidente geográfico natural. Hoje desaparecido pelo aterro a que foi sujeito por via da necessidade do prologamento da Av. Marginal de Ponta Delgada e da construção da Marina do porto e piscinas de Ponta Delgada.

Carregue aqui para visualizar as Fotos da História cedidas pelo Dr. Nestor de Sousa